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STAGE / ETAPA 10
MONSARAZ / PIAS

12 JUNE 2018

77 KM / 828 M+

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ALTIMETRY PDF / PDF ALTIMETRIA

 

DIÁRIO DA ETAPA DE UMA TRAVESSIA ANTERIOR

MONSARAZ-PIAS outra etapa sem grande história é o Alqueva e o Alentejo. Etapa muito rápida, grandes planícies e algumas herdades, muitos olivais, searas e campos de girassóis. A maior subida é depois de atravessar o rio Ardila antes  da aldeia Sto. Amador, onde o pessoal se refresca de bebidas e come umas bifanas no café ao cimo da subida. No caso de chuva pode-se tornar numa etapa muito complicada.

Tornamos a manter aqui a descrição antes do Alqueva:
"Hoje foi a etapa desolação. Andam a cortar todas as arvores que ficam abaixo da cota 165 e a limpar as estevas de todos os montes deste alentejo desfigurado. Tristes e nostálgicas foram as imagens do dia de hoje, mais parecia um deserto em formação, casas em ruinas, montes carecas, caminhos empoeirados e vedações derrubadas em terras de ninguem que secas e inóspitas esperam a água barrada pelo betão uma trintena de Kms mais abaixo. A 13ª etapa, MONSARAZ - MOURA, com 57 Kms, é mais uma das etapas que nunca mais se fará pois quase a totalidade dos trilhos e caminhos por onde passamos ficarão em breve debaixo de água. Não sei porquê, mas existia à partida para esta etapa, por parte dos participantes uma sensação que seria uma etapa fácil depois do que tinham feito ontem. Os primeiros 20 kms em alcatrão ( é a etapa com mais alcatrão de toda a Travessia), pareciam confirmar essa sensação tendo rolado quase em plano desde Monsaraz até à Aldeia da Luz (velha), visitando o Cromeleque do Xêres e passando por Mourão e pela nova Aldeia da Luz, em construção, que será uma cópia mais ao menos fiel em termos arquitetónicos do que é a actual, e que será submergida com o Alqueva. Mas à medida que a etapa avançava e o calor aumentava e os participantes agora divididos por 2 grupos começaram a sentir que não era de maneira alguma uma etapa fácil. Ao Km 24 viemos mais uma vez cumprimentar o Guadiana e com ele gozar da luxúria das suas margens onde pastam manadas e rebanhos de ovelhas que pela hora do calor se encavalitam umas nas outras disputando pachorentamente as poucas sombras existentes das escassas árvores, são imagens que se repetiram ao longo deste trecho de percurso bem junto ao rio, árvore frondosa - rebanho que preenche o seu recorte de sombra.
Finalmente ao km 30 deixamos o Guadiana e entramos no carrocel dos montes circundantes, um “frisadinho” muito miúdo que arrasa qualquer um, um sobe e desce constante do qual só nos lembramos do que sobe e muito empinado por vezes. O calor é abrasador e em breve a alegria dos participantes vai-se esvaindo, e só a visão da cidade de Moura ao longe traz de novo um sorriso nas faces algo encaraçadas pelo suor e pó que se arrecadou nos caminhos ensolarados deste Alentejo Alqueviano, enrugado, desértico, seco e feio.
Enquanto parámos para reagrupar numa das inúmeras lombas do caminho, alguém com grande desalento perguntou gritando “Quem disse que o Alentejo era plano?”. Com esta frase se pode resumir a parte final desta etapa que nos levou a Moura, uma cidade bem Alentejana e bem bonita. Sempre gostei de Moura. O velho, mas muito bem recuperado, Hotel de Moura foi o nosso local de pernoita e para jantar escolhemos o Restaurante “O Trilho”, um nome muito a propósito. Fomos muito bem servidos com pratos típicos do

Alentejo onde não faltou a sopa de cação e o cozido de grão regados com tinto Monsaraz. Esta tarde aqui em Moura resolveu-se comer uns caracóis numa tasca local e depois de muito trabalho e poder de persuação conseguimos levar o holandês do nosso grupo a provar o petisco. Não é que ele gostou."

Dados do nosso GPS para a etapa actual:

- Extensão = 76km;
- Acumulado de subidas = 603 m;
- Acumulado de descidas = 865 m;
- Tempo a pedalar = 4h 19m;
- Velocidade média = 17,7 kms/h;
- Velocidade máxima = 57,5 Kms/h;
- Totalizador da Travessia = 789 km.

  

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